domingo, 16 de agosto de 2015
segunda-feira, 13 de julho de 2015
domingo, 5 de julho de 2015
domingo, 14 de junho de 2015
domingo, 7 de junho de 2015
quarta-feira, 20 de maio de 2015
terça-feira, 5 de maio de 2015
Podem encontrar-me na tranquilidade dos meus gestos mas por dentro das mãos trarei sempre a brandura do restolho e essa saudade que só se encontra plasmada nos dedos das ceifeiras; podem ver as minhas mãos de cor alva e toque seda mas dentro delas tenho outras, secas e gretadas pelo sol que queima como se Agosto fosse. E nos olhos, nos olhos trarei sempre as lonjuras dos poentes rubros onde rebenta a onda da seara em movimento. No fado que trauteio nas madrugadas solitárias há ainda um canto-chão e a minha boca saciada tem saudades do sabor da água que nascia do ventre do cântaro de barro tão usado. E nos cabelos soltos trarei sempre a sombra da papoila que morria à fome dos trigais prostrada entre os caracóis do meu cabelo. Podem encontrar-me noutra terra, noutro espaço mas tenho um coração de trigo e uma alma caiada de ternura pelas mãos das mulheres que trago a correr nas minhas veias. E aos domingos o sino da igreja aqui ao lado leva-me de volta à dança do rebanho, tilintada e lenta, de volta ao aconchego do redil.
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
Ouve
Dormes
não há pontos cardeais
nesta noite fria
toco-te o cabelo
sinto frio
Ouve: esse embalo que sentes
mas não sabes de onde vem
que te aquieta e faz dormir
é a agitação da minha alma que
te chama do centro da insónia
e faz de berço ao vazio
em que guardo o meu cansaço
Ouve: a noite é calma e da raiz das trevas
nasce a dolorosa nitidez
da dor
e
do silêncio
quarta-feira, 9 de julho de 2014
quinta-feira, 3 de julho de 2014
sexta-feira, 27 de junho de 2014
O silêncio dorme
há um fio frio, líquido,
que desce sobre a noite
a vida aquieta-se
na contemplação
da leveza dos astros
suspensos
pousa sobre ti
um desassossego
breve
como saltitar de pardal
ou bater de asa
as pontas dos meus dedos
deslizam quentes,
sobre a melancolia do teu rosto
devolvo-te o sono
com a calma de um beijo
quarta-feira, 18 de junho de 2014
Em memória do Fogo
Há um ínfimo minuto de cinza
Que não vai com o vento
Fica, morno
Suspenso na eternidade
Em memória do fogo
Olívia Santos
quarta-feira, 11 de junho de 2014
quinta-feira, 5 de junho de 2014
Procuro-te no Mundo
Fecho os olhos e procuro-te nesse
mundo dos sentidos que fica sob as nossas pálpebras.
Percorro caminhos ínvios por dentro
de mim, sempre a passo lento e curto, palmilhando esta cidade subterrânea e
mágica, esta cidade interior, única e encantada. Encantada de nós. Ainda ontem eras matéria nestas praças,
nestas ruas; ainda ontem te conseguia alcançar, numa dança de toques furtivos e
tremores de pele; ainda ontem fazias nascer flores nas bermas dos meus olhos,
fazendo sorrir a própria Primavera. Fecho os olhos e procuro-te no meu mundo,
sabendo que só aqui te encontrarei, e no entanto numa alquimia que só mágicos
como nós percebem, pressinto que é neste mundo que jamais te encontrarei.
És sazonal e livre como os
malmequeres do campo e deixas cair o brilho das manhãs quando te (a)colhem.
És sazonal e livre como os humores da
Primavera e sempre que te quero sol e brilho, ofereces-me a ventania nos cabelos
e a chuva fresca nos meus olhos.
Fecho os olhos e procuro-te. No mundo.
Olívia Santos
quarta-feira, 28 de maio de 2014
sexta-feira, 23 de maio de 2014
Amar "A capella"
Tenho saudades das noites
em que dedilhavas o meu corpo
como cordas de viola
eu sorria, apenas sorria
e amava-te "a capella"
Olívia Santos
quinta-feira, 15 de maio de 2014
Beijo
Não há espaço euclidiano
que limite a vontade de beijar
não há ferro nem fogo que o impeça
nem frio polar que o torne inerte
Não há grades
que consigam prender
o beijo
que quer acontecer
Olívia Santos
quarta-feira, 7 de maio de 2014
Café
Pedes dois cafés
um, mais curto, menos doce
nunca imaginei ver poesia num café
mas a doçura da tua mão aberta
abriu-me o pensamento e a urgência
de escrever – nem que fosse só um
verso:
que descrevesse a poesia
do breve
movimento do teu toque ternurento sob a
chávena
no exacto ponto, nesse mesmo ponto
onde os meu lábios, depois,
pousaram levemente
Olívia Santos
terça-feira, 29 de abril de 2014
Sede
Subitamente
um pássaro pousa nos meus olhos
saltitante, apressado
entoa um trinado suplicante
no calor da tarde
solto lágrimas
para lhe matar a sede
para lhe matar a sede
Olívia Santos
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