quarta-feira, 9 de julho de 2014

Há uma paz suprema que se estende ao mundo
Quando as fissuras da terra, abertas pelo sol ardente
Ficam preenchidas por
finas agulhas
de água
Paz, há uma paz
quando a chuva forte 
Alivia o vento da sede e solidão
Há paz
Quando todos os seres do universo bebem
qualquer que seja a sua sede

Olívia Santos

sexta-feira, 27 de junho de 2014

O silêncio dorme 
há um fio frio, líquido,
que desce sobre a noite 
a vida aquieta-se
na contemplação 
da leveza dos astros

suspensos 

pousa sobre ti
um desassossego
breve
como saltitar de pardal
ou bater de asa 

as pontas dos meus dedos 
deslizam quentes, 
sobre a melancolia do teu rosto

devolvo-te o sono
com a calma de um beijo

Olívia Santos

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Em memória do Fogo


Há um ínfimo minuto de cinza

Que não vai com o vento

Fica, morno

Suspenso na eternidade

Em memória do fogo

 

Olívia Santos

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Procuro-te no Mundo


Fecho os olhos e procuro-te nesse mundo dos sentidos que fica sob as nossas pálpebras.

Percorro caminhos ínvios por dentro de mim, sempre a passo lento e curto, palmilhando esta cidade subterrânea e mágica, esta cidade interior, única e encantada. Encantada de nós. Ainda ontem eras matéria nestas praças, nestas ruas; ainda ontem te conseguia alcançar, numa dança de toques furtivos e tremores de pele; ainda ontem fazias nascer flores nas bermas dos meus olhos, fazendo sorrir a própria Primavera. Fecho os olhos e procuro-te no meu mundo, sabendo que só aqui te encontrarei, e no entanto numa alquimia que só mágicos como nós percebem, pressinto que é neste mundo que jamais te encontrarei.

És sazonal e livre como os malmequeres do campo e deixas cair o brilho das manhãs quando te (a)colhem.

És sazonal e livre como os humores da Primavera e sempre que te quero sol e brilho, ofereces-me a ventania nos cabelos e a chuva fresca nos meus olhos.

 

Fecho os olhos e procuro-te. No mundo.


Olívia Santos